Quando a política ocupa o tribunal — e o tribunal ocupa o debate público
Um julgamento que acontece em muitos lugares
O julgamento de Jair Bolsonaro no STF não está acontecendo só dentro de um tribunal. Ele se desenrola nas ruas, com manifestações de apoio e protesto. Acontece nas redes sociais, em posts, cortes de vídeo, hashtags e memes. Circula em grupos de WhatsApp, nas conversas de família, nos vídeos de opinião.
Esse não é um julgamento comum. É um acontecimento político, jurídico e simbólico — tudo ao mesmo tempo. E entender o que está em jogo exige olhar para além do Supremo.
É preciso enxergar a disputa pública em torno do que é justiça, verdade e poder.
As ruas em disputa: gritos, cartazes e tensões
Manifestantes a favor de Bolsonaro têm ido às ruas para denunciar o julgamento como “perseguição política”. Já grupos contrários ao ex-presidente também ocupam espaços públicos, exigindo justiça e responsabilização.
Os dois lados usam os mesmos símbolos:
→ Bandeira do Brasil,
→ Constituição,
→ liberdade e democracia.
Mas os sentidos atribuídos a esses símbolos são completamente opostos. E aí, a rua vira palco. E, nesse palco, o julgamento se transforma em espetáculo político.
Isso é perigoso?
Depende.
O direito de se manifestar é essencial em qualquer democracia. Mas quando as manifestações tentam pressionar decisões judiciais, a linha entre participação e intimidação fica tênue.
Redes sociais: o novo tribunal da opinião pública
Enquanto o STF julga com base em provas, as redes julgam com base em narrativas.
Cortes de vídeos circulam sem contexto. Frases isoladas se tornam armas políticas.
Desinformação corre solta, confundindo e inflamando o debate.
É como se existisse um segundo julgamento, paralelo — e muitas vezes mais ruidoso.
Um julgamento em que a verdade importa menos que a viralização. E o pior: esse tribunal informal influencia a percepção pública de justiça.
STF sob pressão: visibilidade e responsabilidade
Os ministros do Supremo sabem que suas decisões estão sendo observadas por milhões.
Cada voto, cada fala, cada gesto será interpretado, analisado e recortado.
E isso traz uma pressão enorme.
De um lado, é importante que o STF seja transparente e esteja aberto ao escrutínio público.
De outro, é fundamental que suas decisões sigam critérios jurídicos, e não apenas o clima das ruas ou das redes.
Essa tensão é real.
O STF tem sido acusado — às vezes com razão, outras vezes por conveniência — de agir como “ator político”. Mas também tem sido um dos poucos freios institucionais em tempos de crise democrática.
A atuação da segurança pública também entra nesse jogo: manter a ordem sem reprimir o direito de protesto é um desafio constante.
Quando a política entra no tribunal — e o tribunal entra na política
No Brasil, é comum que temas políticos acabem sendo decididos pelo Judiciário.
Isso tem nome: judicialização da política.
Ela pode ser necessária quando o Congresso se omite ou quando direitos fundamentais estão em risco.
Mas também pode ser perigosa.
Quando tudo vai parar na Justiça, o Judiciário vira alvo de disputas partidárias. E corre o risco de perder sua autoridade técnica. O julgamento de Bolsonaro escancara esse dilema.
É um caso jurídico, com provas e ritos legais. E também é um caso político — que divide o país e coloca o Supremo no centro de uma guerra simbólica.
E a democracia no meio disso tudo?
A democracia não se constrói apenas nas instituições — ela também se faz nas ruas e nas redes. Por isso o equilíbrio é sempre muito delicado.
Quando manifestações tentam intimidar decisões judiciais, a democracia se fragiliza. Quando tribunais decidem com base na opinião pública, também.
O que precisamos é de instituições firmes e de participação popular qualificada. De justiça técnica e de pressão cidadã legítima. De ruas ocupadas, mas com respeito aos limites. De redes mobilizadas, mas com responsabilidade.
É nesse entrelaçamento que a democracia encontra sua força.
E você, o que pensa?
Você acredita que o STF está agindo com autonomia nesse julgamento?
Como equilibrar manifestação e justiça em tempos tão polarizados?
Comente, compartilhe e continue participando.
A democracia é feita de nós.





