O Brasil que ainda precisa nascer
Um grito que não chegou a todos
Em 1822, um homem montado num cavalo às margens do Rio Ipiranga teria gritado “Independência ou morte!”.
A cena virou pintura, virou hino, virou feriado nacional. Mas será que virou realidade para todos os brasileiros?
Mais de dois séculos depois, a pergunta permance: Independência pra quem?
A história que a escola não contou
A independência do Brasil, como aprendemos nos livros didáticos, foi um acordo entre elites — uma transição negociada para manter privilégios.
- Não houve ruptura com a escravidão.
- Não houve acesso à terra.
- Não houve redistribuição do poder.
O povo, como quase sempre, foi espectador e não protagonista. Enquanto Pedro I voltava ao Rio de Janeiro para ser aclamado imperador, milhões continuavam submetidos ao trabalho forçado, à miséria, ao abandono. E aí, o grito de 1822 garantiu a soberania formal do país, mas não garantiu justiça, dignidade ou participação para a maioria.
Um símbolo sequestrado?
Nos últimos anos, o 7 de Setembro foi sendo capturado por discursos autoritários e excludentes.
A bandeira, que deveria representar todos, virou símbolo de um lado só. O hino, que fala em “verás que um filho teu não foge à luta”, foi usado como fundo para discursos de ódio. A palavra “liberdade” foi esvaziada — virou slogan sem projeto de país.
Neste contexto, torna-se ainda mais necessário entender que o 7 de Setembro não pertence a um grupo político. Ele pertence ao povo brasileiro. E é hora de recuperá-lo como símbolo de luta por uma independência que seja real, popular e democrática.
O Brasil que ainda precisa nascer
Independência de verdade é quando todos podem comer, trabalhar, viver com dignidade.
- É quando uma mulher preta pode andar na rua sem medo.
- É quando as florestas não são entregues à destruição por lucro.
- É quando uma criança indígena pode crescer sem ser alvo de extermínio.
- É quando a política não serve só aos poderosos, mas ao bem comum.
Essa independência ainda não aconteceu. Mas pode acontecer — se a gente quiser, se a gente agir, se a gente se cuidar.
O que significa ser independente hoje?
Ser independente em 2025 não tem a ver somente com guerras entre nações. Tem a ver com coragem cívica, compromisso com o coletivo, responsabilidade política.
Tem a ver com:
- Questionar os poderes quando eles falham.
- Exigir justiça para todos, não só para quem tem acesso.
- Reivindicar a democracia como espaço vivo, não como ritual vazio.
Amar o Brasil não é repetir slogans patrióticos. É lutar pra que cada pessoa, em cada canto, possa viver com liberdade de verdade.
O nosso grito
Neste 7 de Setembro, o nosso grito pode ser outro.
Não um grito autoritário. Não um grito armado.
Mas um grito coletivo, que diz:
- “Democracia sim!”
- “Sem anistia para quem atentou contra o povo!”
- “O Brasil que queremos ainda está por nascer — e nós vamos parir esse futuro com consciência, com afeto e com coragem.”
E você, o que grita nesse 7 de Setembro?
Deixe seu comentário, compartilhe esse texto e ajude a construir um novo sentido para essa data. Porque independência só faz sentido se for de todos nós.





