7 passos para cuidar do que é nosso
Independência é mais que um grito
No dia 7 de Setembro, muita gente lembra de um grito.
“Independência ou morte!”, teria dito Dom Pedro às margens do Ipiranga, em 1822. Mas… o que esse grito significa hoje?
Mas, vamos aqui refletir um pouco:
- Será que basta repetir slogans patrióticos para honrar essa data?
- Será que somos mesmo livres — se tantos ainda vivem com medo, sem acesso, sem voz?
A verdadeira independência não é a que aparece nos livros de história. Ela acontece no presente. Na forma como a gente se relaciona com o país, com o outro, com o que é de todos.
E isso tem um nome: cidadania.
Neste artigo, vamos falar de 7 formas concretas de viver uma cidadania ativa — uma independência que se constrói no dia a dia.
Cidadania não é só voto (mas começa por ele)
Muita gente acha que ser cidadão é só ir às urnas a cada dois anos. Mas isso é só o começo.
Votar com consciência é um ato de responsabilidade. Porém, a cidadania real acontece entre uma eleição e outra. Ela vive nos questionamentos que fazemos, nas causas que apoiamos, nos serviços públicos que defendemos, nas escolhas de consumo, nas conversas difíceis que topamos ter.
Cidadania é prática. E é de todos os dias.
7 passos para praticar uma cidadania independente
Abaixo, você encontra sete caminhos possíveis. Não são regras. São convites. Você pode começar por qualquer um — o que fizer mais sentido para sua vida.
1. Se informar com responsabilidade
Parece básico, mas é um dos maiores desafios dos nossos tempos, pois a internet está cheia de conteúdos e nem tudo é confiável. Portanto, saber identificar uma fonte segura, buscar mais de uma versão dos fatos e reconhecer quando a gente precisa aprender mais são atitudes poderosas.
Ser independente também é não ser manipulado.
Como praticar:
- Verifique se a fonte tem autoria, data, e reputação;
- Prefira conteúdos que explicam, não que inflamam;
- Compartilhe só o que você entendeu e checou.
2. Cuidar do espaço público como quem cuida de casa
A rua é nossa. O parque é nosso. A escola pública também. Um grande problema no caminho do exercício da cidadania é que a gente foi acostumado a pensar que “o que é público é de ninguém”. A consequência disso é que, na prática, isso nos afasta do que é comum. E fortalece a lógica do “cada um por si”.
Ser cidadão é reapropriar-se do que é de todos.
Como praticar:
- Não jogue lixo no chão (sim, ainda é necessário dizer isso);
- Participe de conselhos de bairro, audiências públicas ou assembleias da escola;
- Ajude a manter e cuidar de espaços coletivos, mesmo que com gestos pequenos.
3. Fazer perguntas e cobrar respostas
Você tem o direito — e o dever — de cobrar os poderes públicos. Isso não é chato, nem exagerado. É cidadania.
Entenda: muitos serviços existem porque alguém cobrou. Muitas políticas públicas só funcionam porque pessoas comuns insistiram.
Ser cidadão é não naturalizar o descaso.
Como praticar:
- Use os canais oficiais: ouvidorias, sites das prefeituras, aplicativos de denúncia;
- Quando possível, documente o problema e divulgue;
- Apoie ou inicie petições locais — às vezes, o seu bairro precisa de você.
4. Conversar sobre política com respeito (e coragem)
Muita gente desistiu de falar sobre política — por medo do conflito. Outras só falam para vencer a discussão. Mas política também é cuidado, escuta, troca. É falar sobre o que afeta a vida de todos — e isso inclui sua família, vizinhos, amigos.
Falar sobre política não é doutrinar. É partilhar a busca por soluções.
Como praticar:
- Pergunte antes de argumentar: “Você já ouviu outra versão sobre isso?”
- Evite “lacrar” — e foque em criar pontes;
- Compartilhe experiências, não só opiniões.
5. Apoiar iniciativas e redes que fortalecem o comum
Nem tudo depende do governo. Há coletivos, movimentos, ONGs e articulações de base que fazem um trabalho incrível pelo bem comum. A cidadania também vive ali. E você pode fortalecer essa rede de cuidado e ação.
Como praticar:
- Descubra uma iniciativa próxima de você e se envolva (mesmo que só divulgando);
- Doe tempo, atenção ou recursos (se puder);
- Reconheça e valorize quem faz — isso alimenta o ciclo do bem.
6. Exercer sua fé (ou não) com consciência cidadã
Se você participa de uma igreja, templo ou comunidade religiosa, você tem ali um espaço potente para a cidadania. A fé pode ser instrumento de exclusão — ou de transformação. Usar sua espiritualidade para defender os direitos humanos, a justiça social e a solidariedade é também um ato de independência política e ética.
Como praticar:
- Proponha temas de cidadania em espaços de fé;
- Esteja atento a lideranças que usam a religião para oprimir ou desinformar;
- Conecte fé com justiça, e espiritualidade com serviço ao próximo.
7. Participar dos debates, mesmo quando se sente pequeno(a)
“Mas quem sou eu para opinar nisso?” Essa é uma frase que precisamos desaprender.
Você não precisa ser especialista para participar. Sua experiência de vida é válida. Sua opinião conta. Sua história importa.
A política se enfraquece quando só alguns falam. Ser cidadão é também recusar o silêncio imposto pela insegurança.
Como praticar:
- Escreva, grave, poste, comente — comece de onde você está;
- Pergunte nas reuniões: “Qual é o canal de participação?”
- Fortaleça quem te fortalece — a política também se faz com apoio mútuo.
Ser independente é ser parte
A verdadeira independência não é viver sozinho. É participar com liberdade, responsabilidade e consciência. É saber que ninguém vai resolver tudo por nós — mas que também não estamos sós. É saber que o Brasil que sonhamos não virá de cima. Ele nasce entre nós — com cada gesto de cuidado, de escuta, de coragem política.
E se a gente chamasse o 7 de Setembro pra isso?
Neste 7 de Setembro, que tal aproveitar o buzz dos desfiles para pensar:
- Que país a gente quer ajudar a construir?
- O que você pode fazer por ele — não como obrigação, mas como escolha?
Essa é a verdadeira independência: poder participar do que é de todos — com liberdade e compromisso.
Vamos juntos?
Você se identificou com algum dos 7 passos? Compartilhe este artigo com quem também quer participar mais, mas não sabe por onde começar. A cidadania é o nosso grito de independência — todos os dias.





