Cidadania ativa: o que Brasília pode ensinar ao Brasil

Congresso Nacional em Brasília, símbolo da democracia brasileira e da cidadania ativa.

Mesmo abrigando os principais poderes da República, Brasília ainda enfrenta o desafio da apatia política. Transformar essa realidade pode inspirar uma nova cultura democrática em todo o país.

Brasília é o coração político do país. Aqui estão os Poderes da República, as decisões que reverberam em todos os estados e também um dos maiores orçamentos per capita do Brasil. Ainda assim, a capital nacional convive, por vezes, com uma contradição: muito perto do poder, mas distante da cidadania ativa.

Essa realidade não é exclusividade do Distrito Federal. Ela é um espelho ampliado do que ocorre em muitas cidades brasileiras: participação concentrada no momento do voto, desconfiança nas instituições e falta de estímulos reais para que a população acompanhe, proponha e fiscalize as decisões coletivas.

O Brasil experimentou diversos mecanismos para aproximar a sociedade da política — conselhos de políticas públicas, orçamentos participativos, audiências públicas. Mas, em grande parte, esses instrumentos foram esvaziados, seja pela burocracia, seja pela ausência de continuidade, seja pela ação direta de governos autoritários em nacional, nos estados e também nos municípios. Além, é claro, do aprofundamento da radicalização dos embates públicos e divisão da sociedade em polos políticos extremados. O resultado é a sensação de que a política é feita por poucos, para poucos, distante da vida concreta da maioria.

O problema é que sem cidadania ativa não há democracia plena. Votar é indispensável, mas não suficiente. Precisamos de uma sociedade que ocupe os espaços de decisão entre eleições, que acompanhe o legislativo, que pressione por transparência, que cobre resultados e que proponha soluções.

Há caminhos possíveis. Consultas públicas digitais, relatórios simplificados sobre projetos de lei, plataformas de escuta social e redes de diálogo comunitário podem aproximar cidadãos e instituições. Mais do que abrir canais, é fundamental garantir que mulheres, jovens e populações periféricas possam atravessá-los. São justamente esses grupos os mais atingidos pelas desigualdades e os que menos encontram espaço para se expressar.

Quando a sociedade participa, os resultados aparecem. Projetos de lei mais próximos da realidade, políticas públicas melhor desenhadas, fiscalização mais efetiva. Quando a sociedade se afasta, abre-se espaço para que a política seja dominada por interesses restritos.

Brasília pode servir de alerta e de inspiração ao mesmo tempo. Se a capital, com tanta proximidade das instituições, ainda enfrenta o desafio de mobilizar seus cidadãos, o que dizer de cidades médias e pequenas? Por outro lado, se conseguirmos transformar o DF em exemplo de participação cotidiana, podemos irradiar uma nova cultura democrática para todo o Brasil.

Cidadania ativa não é um ideal distante. É uma prática diária. É acompanhar, propor, cobrar e reconhecer que cada pessoa tem responsabilidade sobre o futuro coletivo. O fortalecimento da democracia brasileira depende disso: de que mais cidadãos compreendam que não basta escolher representantes, é preciso também escolher participar.

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